Por dentro da carreira em Arquitetura

Qual a primeira coisa que lhe vem à cabeça quando você pensa sobre Paris? E sobre Londres? E quanto ao Rio de Janeiro? Se suas respostas foram Torre Eiffel, Big Ben e Cristo Redentor, você não está sozinho. Embora as três cidades tenham diversos atrativos, que vão das artes à natureza, a primeira coisa que notamos ao visitá-las é a sua arquitetura. E como a primeira impressão é a que fica, não é estranha a associação das capitais às suas mais notórias construções. Contribuir para a formação da paisagem de uma cidade é só uma das carreiras que podem ser seguidas por um arquiteto, o urbanismo. Nesse artigo, nós vamos saber um pouco mais sobre esse profissional que tem o poder de mudar o mundo.

O que faz o arquiteto?

Mais do que fazer cálculos para construir e projetar prédios, o arquiteto tem como principal tarefa organizar o espaço de vida dos seres humanos (residências, edifícios, espaços públicos, monumentos e até uma cidade, como é o caso de Brasília, projetada e desenvolvida por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer). Para tanto, é necessária uma sensibilidade que não cabe, por exemplo, nos números da engenharia. É por isso que a faculdade de arquitetura está relacionada às humanidades, embora também tenha disciplinas ligadas à engenharia civil. Aliás, para se tornar um profissional de arquitetura no Brasil, assim como na maioria dos países do mundo, é necessário possuir um diploma de nível superior. A instituição precisa ser reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).

O arquiteto vai além do desenho de edificações. Ele coordena equipes de trabalho; fiscaliza e vistoria obras; realiza estudos de impacto e viabilidade; faz o levantamento de dados; emite laudos e pareceres técnicos; analisa história, cultura e geografia dos espaços que modifica. Embora projetar e construir sejam as atividades mais destacadas da arquitetura (presentes inclusive na etimologia da palavra, que vem do grego e significa primeira ou principal construção), o arquiteto também pode atuar na preservação do patrimônio histórico; em restaurações; no planejamento urbano e regional; no paisagismo; no desenho industrial; na comunicação visual e na arquitetura de interiores. O profissional de Arquitetura e Urbanismo precisa se registrar junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA).

Perfil do arquiteto

Além da sensibilidade, quem pensa em ser um arquiteto deve ter bastante criatividade, aptidão para trabalhar com números, atenção aos detalhes, capacidade de observação e análise, lógica e facilidade para trabalhar em equipe. Precisa ter uma boa noção de estética e ser capaz de traduzir e prever as necessidades de indivíduos ou grupos sociais, bem como garantir o equilíbrio com o meio ambiente e a utilização responsável dos recursos naturais. O profissional tem que estar sempre atualizado e é indispensável uma visão interdisciplinar, uma vez que a arquitetura tem em sua base a matemática, as artes, a tecnologia, as ciências sociais e políticas, a história e a filosofia.

A faculdade de arquitetura

No Brasil existem em torno de 250 faculdades que oferecem os cursos de Arquitetura ou de Arquitetura e Urbanismo. São mais de 30 mil vagas disponíveis por ano para quem deseja se tornar um arquiteto e a concorrência é em torno de três alunos por vaga. O curso do tipo bacharelado dura em média cinco anos, mesclando aspectos teóricos, principalmente no primeiro semestre, e práticos, estes últimos constituindo a maioria do currículo. Uma particularidade da faculdade de arquitetura é desenvolvimento de projetos, que ocupa de 10 a 20% do curso e inclui desenhos técnicos, artísticos e maquetes. Apesar de a grade curricular variar de instituição para instituição, as disciplinas mais comuns incluem História de Arte e da Arquitetura, Cálculo, Ética e Legislação Profissional, Projeto Arquitetônico, Desenho Técnico e Expressivo e Informática Aplicada. Para se formar, o estágio é obrigatório, assim como o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Os estágios são mais comuns a partir do terceiro período e ocorrem principalmente em escritórios de arquitetura, prefeituras e construtoras.

Bacharelado ou Tecnólogo?

Quem sonha em ser um arquiteto mas não dispõe de muito tempo para investir em um curso de bacharelado ou já tem em mente uma especialização pode optar pelo curso técnico (nível médio) ou o curso tecnológico (nível superior), com durações média de dois a três anos. O técnico em Edificações pode desenvolver projetos de até 80m² e realiza atividades similiares à do arquiteto, mas com um nível menor de responsabilidades. Já em relação aos cursos superiores, enquanto o bacharelado oferece uma formação mais aprofundada e amplo leque de atuação, o curso tecnológico exige a escolha de uma área específica, como por exemplo Infraestrutura, Paisagismo, Conservação Patrimonial, Restauração Patrimonial e AutoCAD (projetos 3D). A escolha por uma ou outra formação dependerá das intenções profissionais e das possibilidades de cada um, mas de qualquer forma, a grade de cursos técnicos e tecnológicos pode ser aproveitada caso esse profissional queira posteriormente cursar Bacharelado ou pós-graduações em Arquitetura ou Engenharia Civil. Em todos os casos, os profissionais (de formação técnica, tecnológica ou bacharelado) devem estar registrados no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia para exercer a profissão.

Profissão Arquitetura

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